segunda-feira, maio 31, 2004

Pelo menos o fim de semana valeu para arrumar a casa nova e reencontrar amigos...

Sobre jogos, taças e canecos

Haverá um dia em que as pessoas, enfim, se sentirão prontas? Eu espero que isso seja possível. Porque não quero passar mais um ano ou um dia sequer com a sensação de ter feito tudo errado, de ter entrado no jogo sem me fazer valer de estratégias ou máscaras, e no fim, ter me iludido com algo que não existe ou nunca existirá.

A sensação mais recorrente é a de que a relação a dois é como equilibrar uma bandeja cheia taças de cristal. Elas balançam, racham e, às vezes quebram em pedacinhos irrecuperáveis. Pior é que as taças de cristal que valem a pena são caras e muitas não são mais fabricadas. Acontece que a gente tem o péssimo hábito de substituir. Mesmo que no fundo saiba que o conjunto pode não entrar em harmonia e que taças de cristal são frágeis e feitas para se espatifar. Taças de cristal são reluzentes, belas e traiçoeiras: o conteúdo sempre alegra, entorpece, dá uma dor de cabeça tremenda e um vazio que não se explica. Por isso, conheço pouquíssimas pessoas que mantém suas taças expostas numa intocável cristaleira.

Seria nossa vida melhor e menos complicada se nos contentássemos apenas com os canecos de porcelana, nossos bons e velhos amigos? Aqueles cuja estrutura é tão forte, que mesmo com a queda podem sair intactos? Canecos de todos os tamanhos e cores que não exigem todas as atenções de quem passa pela sala de jantar. Eles ficam ali na cozinha, prontos para servir algo que aqueça o corpo, acalme o coração e até cure a dor.

Não, as pessoas nunca se sentirão prontas por mais que eu queira e me esforce. Eu mesma acho que não estou e vou ter que passar mais um dia ou um ano tentando. Posso desistir e jogar o tabuleiro para o alto. No entanto, sempre olharei com desconfiança para as taças de cristal e, na dúvida, vou mantê-las. Afinal, canecos de porcelana nunca vão me deixar na mão.

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