sexta-feira, setembro 22, 2006

Existem coisas bobas e, ao mesmo tempo, muito essenciais na vida. Tomar um cosmopolitan e esquecer calorias de um pão de queijo recheado com lombo é um exemplo. Viver seguindo regras o tempo inteiro, na minha opinião, é a coisa mais triste e besta que existe. Eu já tenho que lidar com muitas limitações como não poder matar um dia de trabalho para ver sessão da tarde, não gastar o dinheiro do aluguel numa viagem no final de semana ou em alguns DVDs e assim por diante.

Abandonei a dieta. Para sempre. Mas não que eu vá me entupir de frituras ou doces. Simplesmente, não comerei maçã quando quiser saborear uma coxinha de catupiry. Já quando o pacote de negresco for resultado da minha constante ansiedade, prefiro tentar ler um livro, ver um filme ou desenhar, como sugeriu uma médica ótima com quem me consultei há anos (dessas que não aceitam nenhum plano de saúde).

Faço questão apenas de voltar a praticar uma atividade física, pois tenho prazer em me exercitar. Rasguei os pedidos de exame de colesterol os quais deveria entregar na consulta deste mês. Não estou interessada em abandonar o queijo amarelo. Talvez meu objetivo de vida seja ser uma velhinha como aquelas do interior que comem seu torresminho, ignorando as prescrições dos doutores. Se eu morrer disso, pelo menos morro saciada.

Eu brindo às coisas bobas essenciais com uma imensa tulipa de chope nas mãos. O passeio pela Savassi, que ainda hei de fazer nas próximas semanas; a nova cor do meu cabelo; as conversas divertidas com os amigos; ao despertador que não acionarei no sábado; ao meu gatinho depois de um banho que irá tirar dele aquele aspecto de fã de reggae...

Há muita bobeira por aí. Futilidades que não acrescentam nada, querendo desviar atenções. Cicarelli e Kate Moss transando com seus namorados em ambientes públicos. Ronaldinho reatando namoro. Britney Spears preocupada com os quilos a mais dias, após o nascimento do filho. Discussões superficiais, imbecis e supostamente polêmicas que alimentam a tristeza de muitos jornalistas como eu. Imagina passar quatro anos estudando para pedir a uma numeróloga para fazer a combinação do nome da filha do Tom Cruise? Ou ficar de hora em hora tentando saber quem esteve no casamento da Luciana Gimenez? Eu já tive que me dedicar a ingratas tarefas do tipo. E de péssimo humor, diga-se.

Por esta razão, defendo a legítima bobagem fundamental. Para desobstruir o que não presta do meu cotidiano. Nada mais é do que viver desencanado, curtindo pequenos prazeres. Prazeres proibidos inclusive. Eu não preciso e nem quero provar nada para ninguém. Ainda bem.

E uma dica é ver a partir do dia 06 de outubro, Do Luto à Luta, do Evaldo Mocarzel. Não há uma lição de moral babaca, nem políticamente correta. Percebi apenas que nós, tidos como "normais", complicamos muuuito mesmo a nossa frágil vidinha nessa encarnação.

2 comentários:

  1. D'accordo, cara. Belo texto. Saudades tuas. O Agenda tá um caos. E eu tô saindo fora. Chegou enfim minha hora. Assim é a vida. Beijo,
    João

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  2. Darling: é isso aí! O último a sair é mulher do padre! Saudades também! Beijos

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