Strike a pose

Ainda que alguns tenham caído em lugar comum, Oscar Wilde tem aforismos geniais. Dia desses, eu estava pensando justamente em "só os tolos não julgam as aparências". Quem me conhece bem ou superficialmente, sabe que não levanto bandeira de que a beleza deva por a mesa. Sou mais os charmosos, os levemente desalinhados, os descabelados. O fato é que certos códigos estéticos bem particulares me aprisionam no bom e velho "botar reparo".

Pois a cena que me vem agora é minha e de uma ótima amiga num evento, conversando com o gerente de marketing da empresa. De cara, impliquei com a camisa jeans do moço. Eu sei que não tem a gravidade da pochete, do sapatênis, mas para mim é do mesmo clube. Como o papo estava agradável, pensei: "ah, o que é uma camisa jeans, né?". Havia espumante e preferi ser meio tolinha para variar. Minha amiga trocou um olhar de cumplicidade, aquele que se estivéssemos num restaurante anunciaria: "vou ao banheiro". E eu, claro, "vou junto". Tivemos que esperar alguns instantes, com a língua coçando.

O veredito foi unânime: sim, ele era bem interessante. Ela, bem mais entendida de moda que eu, não mencionou o alvo da minha implicância inicial, totalmente absolvida antes de deixarmos o local. Foi quando eu revelei: "mas tem uma coisa que incomoda muito: a pulseirinha com as cores da bandeira da Jamaica". O acessório está na lista "don't". Eu sei, sou chata, sou o diabo que nem veste Prada. Oscar Wilde me entenderia, mas "reggae night" é demais...

Meses atrás, um amigo de um amigo confessou na mesa de bar que achava muito antipática essa mania feminina de torcer o nariz se o cara não estava com "a camiseta certa" (e olha que ele vestia uma camiseta tão legal que até tirei foto pro Instagram). Defendi o meu gênero afirmando que todos nós colocamos o tal reparo. Se não é no "look", é no "shape", só para usar linguagem fashion, style, sei lá o quê. O amigo deste supracitado rapaz, que estava na mesmíssima mesa, por exemplo, quase quebrou o pescoço observando as curvas de outra amiga minha que se juntou ao grupo, fazendo cair por terra esse discurso de que a primeira impressão não tem valor algum.

Se ela fica? Dificilmente, mesmo que seja boa. Foram pouquíssimos os meninos por quem me apaixonei que já vinham na embalagem Mark Ruffalo. O que ficou foi a primeira vez que senti as pernas tremerem, o rosto arder de tão vermelho, perder todos os fios da meada. Essas bobagenzinhas são para rir com a amiga, que vai entender perfeitamente...são boas para virar crônica...

Mas que um sujeito que prefere a camisa xadrez ao modelito jeans, a surradinha camiseta de banda indie àquelas sem personalidade e um all star ao tênis mega colorido que parece ter saído da academia ganha mais estrelinhas douradas, ah isso ganha.

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