domingo, maio 13, 2012

Dos guardados

Eu sei, é puro apego. Guardo coisas como minha primeira boneca Juanita, figurinhas que já perderam a cola, a cor e uma tonelada de papel. Dos itens desse meu colecionismo mais afetivo do que acumulador, diria que adoro minhas caixas de cartas, em especial, as de amor.

Estava na minha torcida por dias frios, à procura das blusas quentinhas que, entre as várias mudanças que faço, sempre vão parar em malas distintas, escondidas. Foi quando decidi abrir a terceira porta do alto do armário onde, sabia, iria encontrá-las (confesso, costumo evitar esse tipo de arquivo em determinadas circunstâncias. Contraditoriamente, é número um dos itens empilhados. Talvez o botão de emergência).

A caixa de cartas de amor contém, por exemplo, e-mails daqueles que sequer conheci. Eram os tempos da internet discada, dos chats. Para ser precisa, o ano era 1998. Skywalker foi meu primeiro "namoradinho" virtual. Passamos meses nos correspondendo, porém a distância, somada ao fato de que éramos jovenzinhos estagiários sem grana, fez com que deixássemos para a memória tanta coisa em comum confessada nas salas virtuais, nas correspondências e, finalmente, no telefone.

Numa atitude nada ecologicamente correta, eu imprimia TODOS os emails dele. Só que antes, eu ficava uns minutos olhando a caixa de entrada em negrito com aquela nova mensagem, suspirava. Chamava-se Sérgio, morava em Campinas, gostava de Star Wars e de britpop. Quando a gente não estabelecia nenhum tipo de contato, era como se o dia não tivesse existido.

Não me lembro o que levou ao nosso estágio offline. Imagino vagamente que foram as coisas da vida, acrescidas de um amor desses que a gente pode dar as mãos, beijar e dormir abraçadinho. Relendo tudo, sorrio. Fizemos uma série de pactos não cumpridos e sinto um imenso carinho por Sérgio. Não tenho nenhum retrato dele. Não sei se casou, se teve filhos, se é feliz, se mudou de país...

E das centenas de escritos dele, escolhi este para partilhar aqui.

2 comentários:

  1. Gostaria que o meu pseudônimo “Spacecowboy”, contemporâneo a essas mensagens e inspirado no hit dançante homônimo do Jamiroquai (e com projeção de personalidade mais ao estilo do Han Solo), tivesse encontrado numa dessas salas de chat a poetisa Milabh... O Skywalker iria sobrar para o Jabba...

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    1. Ahh, que gentil...sou mais apaixonada pela poesia do que criadora dela. De qualquer modo, a lembrança dessas galáxias distantes é sempre boa :)

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