sexta-feira, março 23, 2012

Viver conformado é viver feliz?

Acordei outro dia com essa pergunta. Não havia lápis e papel na mão para anotá-la. Criei uma nota no celular para pensar na resposta depois.

Eventualmente, dias cinzas e chuvosos me entristecem. Voltei ontem do Rio tomado pelo céu azul. Havia vista para o mar. Hoje tudo mudou.

Então, decidi pensar no velho questionamento. Eu, a inquieta. Eu que prefiro sentar-me na poltrona do corredor no avião, pois a janela é para sonhadores. Eu quero ter a liberdade do ir e vir. Rápido, de preferência. O meio aceita o pior, o meio tem paciência com aqueles 45 minutos do voo.

Tenho incômodos que me perseguem a partir daquele cinco de abril em que vim ao mundo. Tive que engolir a seco muito do que não aceitava ou queria para mim. Ser resiliente enquanto o que eu mais desejava era deitar e dormir. E lutar sem forças parece algo em vão.

Permanecer em Belo Horizonte, reestabelecer todos os dias (desde cinco anos atrás) laços com um lugar que só me pareceu feliz quando ficou na lembrança.

Não me sinto em casa faz tempo. A inconstância do endereço talvez seja a ponta desse iceberg e, prestes a dar fim a vida cigana, surgem medos. Medos idiotas que vão do conseguir pagar as contas em dia ao de ter que lidar comigo, com essa minha solidão cercada de amigos, com essa extroversão que nem sempre me representa, com os dias que seguem similares, o ano de contrato, a vontade de partir, a falta de perspectiva de ir.

Sento-me no corredor, ainda que na última fila do avião, cujo assento não reclina. Fico alerta. E na falta do corredor, sendo colocada aleatoriamente na aeronave, tento me acalmar naquele meio. Duro admitir que tenho evitado janelas para muitos sentimentos que não sei se ainda me servem.

Esfriou.

E para viver feliz não tem resposta.

4 comentários:

  1. Ei, Ludj!
    Cá estou eu dinovo!
    Seus textos traduzem muito os meus sentimentos, esta inquietude, esta solidão cercada de amigos, esta vontade de uma vida cigana,o medo de não dar conta das contas no fim do mes... enfim... vontade de algo que sacuda minha vida e me traga mais emoção. Incluindo uma flechada no coração. E no marcador "inferno astral", lembrei que somos arianas.
    Obrigada pelo texto!
    Beijo

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    1. Oi Dora, obrigada pela visita :)
      O fogo anda com a gente né? Nem sempre dá para não arder...
      Sigamos assim. Beijos

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  2. Chris Ribeiro8:36 PM

    Um fogo típico de arianos... hehehehehe

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