terça-feira, junho 22, 2004

E tem aquele dia em que você acorda e percebe que a visão direita está toda embaçada. Há dois meses foi a mesma coisa e um colírio resolver tudo. Em 15 dias. Você não detesta usar óculos porque são anti-estéticos, mas porque a essa altura dão uma dor-de-cabeça dos infernos. E pensa que sua vida seria melhor se encarasse a miopia como Win Wenders, que acha ótimo exergar por enquadramentos.

Quando, enfim, é hora de sair da cama, sente o peso nos ombros e não é só seu colchão que deveria ser trocado. Você se lembra vagamente do que é ter férias. Com letras garrafais, não aquele recesso indigno de dez ou quinze dias com o dinheiro economizado e contado, mas um mês inteiro para viajar, namorar, dormir, ver filmes, comer sem pressa como todo ser humano deveria ter, no mínimo, uma vez por ano. E lá vão quatro.

Você pensa quanto tempo irá gastar para quitar dívidas, por em prática projetos importantes e ter uma vida menos ordinária. Não existem cortes radicais que possam dar jeito. Muito menos idéias geniais. Simplesmente seus neurônios parecem conspirar contra e a rotina no trabalho segue pelo mesmo curso. Você se lembra dos milhares de impencilhos e se esforçar para entender porque insiste. Os motivos são poucos e nobres, assim como algumas pessoas de seu convívio. No entanto, tem valido a pena?

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