sexta-feira, fevereiro 10, 2012

In Between Days

Hoje eu acordei Robert Smith. Cabelo em pé. It's friday, but I'm not in love. Saí às pressas de casa. Passei no banco, chequei o saldo na conta. Faço contas mentais para saber se vai dar, mesmo sendo péssima em matemática. Não vai dar.

No iPod busco a trilha para me traduzir: yesterday I got so old it made me want to cry. Agora, não mais. Faz um bom tempo que não mais. Na minha imaginação, o sol rachando desaparece, é noite. Danço The Cure, bebo minha cerveja sem deixar de pensar no que se refaz, naquilo que substitui ausências, como a corrida e sua inexorável sensação de prazer, como um lindt, que é como beijo em barra.

A buzina me assusta. Estou errada, fora da faixa de pedestre. Go on go on just walk away. Go on go on your choice is made. Tenho feito escolhas? Fico nesse outro atropelo, que acontece de fato, e os dias se intermediam, se entremeiam. Às vezes nem sinto. Boys don't cry...eu também não. Lágrimas estão escassas. Quis chorar no início da semana, quando soube da morte da minha avó paterna. Naquela família, a recíproca da indiferença é verdadeira. Ninguém avisou, no entanto, não me surpreendeu. As sombras deles são as minhas.

Yesterday I got so scared. I shivered like a child. Yesterday away from you. It froze me deep inside. Por fora, quase derreto com esse calor, no metrô lotado seguindo lento, com cheiros e sons, invariavelmente atrapalhando minha escuta, meus escritos.

Cansaço. Queria que esse trem saísse da linha e fosse para bem longe. Queria, por conseguinte, descarrilhar. Come back come back. Don't walk away. Come back come back. Come back today. Come back come back. Why can't you see? Come back come back. Come back to me. Para quem ou o quê estou pedindo isso?

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