terça-feira, fevereiro 28, 2012

Sobre ossos e ofícios

Há uma série de promessas que não estão sendo cumpridas enquanto escrevo esse texto. A primeira delas: estar diante do computador após a meia-noite. Não me importo. Eu quebro promessas, especialmente as que faço comigo mesma, silenciosamente, em busca de uma tal superação que, às vezes, nem sei de quê. Isso porque tenho andado no compasso de "tudo ao mesmo tempo agora". A cabeça fervilha e até devaneia.

Véspera de férias. Reflito sobre trabalho. Não necessariamente o do momento. Lavorando de maneira pouco ortodoxa em solos arcaicos, aprendi muito. Aprendi especialmente com pólos opostos. Me ocorre, de imediato, o companheirismo do Vanderlei Timóteo. Eu estava sob a maior das pressões com uma "promoção" que não pedi. Meu pai morreu derepente. Foi algo como no dia seguinte receber uma ligação do chefe pedindo para eu finalizar uma edição. Pois esse meu colega, a quem pela atitude considerei um amigo, ficou indignado com a situação, tentou intervir. Estava tão anestesiada, por mais de uma dor, que ativei o modo zumbi e fui. Importante ressaltar: o Vanderlei não trabalhava diretamente comigo. Mais importante ainda: não guardei mágoa alguma daqueles de quem esperava apoio similar.

Aquilo tudo foi, enfim, o divisor de águas na minha carreira, a perda de uma certa inocência que se arrastava desde a graduação. Jornalista gosta de achar que só porque tem a palavra ao alcance, pode romancear. Nessa possibilidade, uma série de equívocos, entre eles, exercitar uma certa frieza. Não dou um "bom dia" seco, faço o serviço no automático e vou embora. Não me interessam certos atalhos para subir algum degrau, pois tenho muito a fazer por mim, pelo meu trabalho, pela minha consciência, pelos valores que meus pais me ensinaram desde sempre. Respeitar, ter senso de justiça e educação para lidar com quem passo a maior parte do dia. E, claro, é fundamental a resiliência, a minha "whatever works".

O que não deixo jamais é de me lembrar com ternura daqueles instantes que nem pareciam expediente, pois houve e sempre haverá entre os tantos números que nos indentificam no crachá, pessoas gentis com nome e sobrenome que serão maiores do que esse meu muito obrigada.

2 comentários:

  1. Ainda me lembro quando minha mãe ficou 15 dias em coma e eu tinha que cuidar dela. Revezava-mos eu e minha irmã, poi meu irmão teve que voltar para Bsb pois seria demitido, mesmo seu chefe sabendo das atuais circunstancias.(chefe 1)
    Qto a mim, quando fui receber meu salario no escritorio de assessoria de imprensa que fazia estagio, descontaram minhas faltas (meio horario)como ferias! (Chefe 2) Ah! E também não tive o direito ao "day after" para cair a ficha da perda! Mas alí também tinham duas pessoas que me apoiaram com muito carinho. A faxineira e a outra estagiaria. Ludj, adoro seus textos e tomo a liberdade de contar as minhas historias que nem sei se tem muito a ver. Mas me identifico com as suas...
    Obrigada e um grande beijo!
    Dora Prado

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  2. Ohh Dora, obrigada pelo carinho e pela cumplicidade de compartilhar sua história. É duro, é triste, mas a gente tem que olhar para trás e ver quem foi generoso. Isso nos faz ver o quanto precisamos ser gente e não máquina. Beijão!

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