quarta-feira, agosto 24, 2011

Jardinando

Via-se, então, diante de uma nova perspectiva, necessidade e vontade. Cuidaria do seu jardim. Tentava, intuitivamente, como fazia com ingredientes e temperos na cozinha, planejar aonde ficariam roseiras, margaridas e que outras flores campestres - das quais não sabia o nome - iriam continuar por ali. Queria ter damas da noite para perfumar o caminho dos passantes admiradores de estrelas.

Cuidar daquele jardim pedia paciência, algo que nunca cultivou. Limpar aquele jardim previa eliminar muito do que estava enraizado, porém que não servia mais e até fazia mal. Contemplava seu jardim como a própria vida, que não parava de nascer, morrer e ressurgir.

Lembrava-se de que cuidar de jardins era um dom para os muito especiais, como sua avó e o George Harrison. Queria ser muito especial de algum modo. Queria menos som e fúria. Queria mais borboletas, passarinhos e joaninhas. Queria, cuidando de seu jardim, ser menos verbo em aberto para ser conjugado por quem imagina que possa pisar naquela grama. Pisar naquela grama só com autorização da dona do jardim, para um pic nic na primavera, quando tudo, sobretudo ela, florisse.

Sabia que a primavera não chegaria em setembro. Ao menos não em 2011. Precisava cuidar do jardim sem data-limite. Assim, devia ter toda atenção com o que estava plantado ali. Não adiantava desejar pé de cerejeira ou tulipas. Lidar com o que conhecia seria, desde sempre, o desafio. Quem sabe adiante, com mais habilidade na jardinagem, arriscasse um bonsai.

Agora não é para o risco. Agora é para aproveitar o silêncio.



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