sexta-feira, junho 03, 2011

A princesa da capa amarela

Quando não havia minha irmã ou meu primo Zezinho e eu reinava na casa dos meus avós, fui coroada a princesa da capa amarela. Era a cortina velha do banheiro que seria jogada fora. No entanto, foi transformada pelo meu tio Marco num manto real. Houve até desfile no corredor, que agora está vazio. Não há o latido da Kid, o cheiro da comida da vovó vindo da cozinha e nem a minha algazarra.

Nesse momento, eu só consigo me ver como a princesa da capa amarela, cujos desejos da infância sempre eram realizadas num passe de mágica. Tudo era infinitamente mais fácil e não havia essa dor, esse mal estar...esse calabouço.

Vou escrever a história do "Menino do Dedo Verde" para não me esquecer, embora houvesse o tempo em que obrigava meu tio contá-la à exaustão até que eu dormisse. Isso foi trabalho de Hércules, porque minha pilha é duracel desde que nasci.

Passarei o dia 27 de novembro, o natal e meu aniversário sem ele daqui por diante. Sem meu tio e padrinho, que fez a minha primeira obturação e, depois, meu encheu de balas e caramelos. A lembrança do lanche das lojas Americanas do centro, dos milhares de brinquedos (normalmente concedidos em dose dupla, uma vez que o título dele também o era) vão se amarelando, como a capa de princesa que eu devia ter guardado.

Foram tantos cartões, bilhetes, caixas, cadernos feitos à mão, exclusivamente, com cuidado e afeto...Ainda assim, hão de ser insuficientes para suprir minhas saudades. Porque eu tenho a certeza de que a saudade não morre, como morreu o vovô Azevedo, a vovó Celinha, o tio Fábio. Trocaria meu reinado, minha capa amarela e todos os meus súditos da coleção completa da Moranguinho para que meu tio Marco não partisse, especialmente como neste 02 de junho.

A fantasia se esvaiu, a alteza é de araque. Diante da minha impotência e mergulhada na tristeza, que não é só minha, fecho os olhos e penso como seria o meu jardim, que é o jardim do Menino do Dedo Verde. Eu quero que meu tio Marco esteja lá, com flores brancas e uma paz infinita. Ele merece.

6 comentários:

  1. 'despedir dá febre'. G.R. beijos doces.

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  2. Estou arrasada por vocês... Sinto muito, desejo muita força para vocês. bjs, Paola

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  3. Anônimo10:13 PM

    querida !!!!!!

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  4. Meus queridos, muito obrigada pelas palavras de conforto. esse é dos momentos mais difíceis pelos quais passamos, mas essa dor um dia se vai. Sem amigos teria sido muito pior. beijos

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  5. Lud Bifano12:05 AM

    Lud, sinto muitíssimo. Bjo grande pra vc, sua mãe e sua irmã.
    Lud Bifano

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  6. Obrigada Flor! Beijos enviados!

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