sexta-feira, abril 03, 2009

Mais um ano que se passa

A vida há 5 anos, quando inaugurei este meu segundo blog, era diferente. À beira dos 27 eu guardava uma certa ingenuidade e boas doses empolgação na minha bagagem. Eu namorava o Alê, era repórter do Agenda, começava a apresentar o Palco Brasil e a vida cultural (festivais, shows, mostras de cinema, livros, exposições, peças) era tão essencial quanto o ar que eu respiro. Eu usava protetor solar, fazia spinning, meu pai era vivo, mas há muito não nos falávamos. Eu queria muito que algumas coisas mudassem, porém não sabia como fazer isso. No dia 05 de abril de 2004, meu post tinha um pouco dessa ingenuidade e empolgação que mencionei no início.

Segunda-feira, Abril 05, 2004
Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin morreram aos 27. Acho, portanto, uma idade estranha. Mas como não tomo drogas e não tenho surtos, minha velhice está garantida. Fazer aniversário é sempre bom. Ganhar votos de felicidades, sejam eles de amigos que moram tão longe ou daqueles que podem dar aquele abraço é maravilhoso. Ganhei presentes lindos também. Amanhã tem festinha no Café com Letras. Espero todo mundo lá...


Hoje cedo peguei um livro de onde caiu a frase de Shakespeare: "Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto". Então resolvi revirar meu baú porque definitivamente não faço essa certificação. Prestes a completar 32, eu venho desconfiando - infelizmente - mais das pessoas e suas intenções. É preciso bem mais do que um simples evento para me motivar a comprar ingresso caro, enfrentar trânsito, muvuca, bebida quente e falta de infra-estrutura. Nesse sentido, o que aconteceu nas últimas semanas - Radiohead - foi "The Great Escape". O Alê, agora meu marido, teoriza que quase tudo hoje a que nos apegamos com tanto afinco é uma forma de fuga. De certa maneira, eu que ando menos espiritualizada do que gostaria, concordo. Dos 27 para cá mudei não só o estado civil. Antes do meu pai morrer, eu falei com ele. Esse acontecimento catapultou algumas transformações: saí de Belo Horizonte, trabalhei em São Paulo com o que há muito desejava. Só que aquilo passou a não ser mais suficiente. Penso que amadureci a ponto de conseguir regressar (o que admito não é da noite para o dia, porque a readaptação às vezes é mais complicada) e trabalhar atualmente com o que nunca foi dentro do universo do jornalismo a primeira ou segunda opção.

Então, chego na encruzilhada da casa dos 30 onde o mundo espera que eu seja bem sucedida no trabalho, na vida pessoal e mantenha o corpinho dos 20. Além disso (ouvi essa há uns dois meses), preciso ser mais simpática e menos sincera. Em 2004 nem imaginava que esse blog poderia incomodar alguém. Pouquíssimo tempo depois, notei que "jogar pedra na Geni" é um ato para além dos comentários que eu mesma modero aqui. Eu me pergunto como alguém que basicamente escreve sobre sua vida, impressões e gostos pode irritar. Irrita. Fernanda Young irrita muita gente, Diogo Mainard irrita muito mais. Não demora e até o Obama terá desafetos que um dia foram simpáticos a ele. Eu sempre acreditei nisso. Agora um pouco mais. "Agora que agora é nunca, agora posso respirar", como cantaram os Titãs de quem um dia fui fã incondicional.

Eu ainda desejo mudanças e as vejo de forma mais cartesiana. Quem sabe falte a coragem de colocá-las em prática? Isso eu sinto com a passagem do tempo: certas ousadias parecem querer nos abandonar. Até para se jogar tudo pro alto é preciso planejamento. Pelo menos foi o que eu li na Vida Simples. Eu não leio mais Bizz (era isso que eu lia àquela época), acho a Bravo careta, a Piauí não me pegou. Vou quase sempre a trabalho nas exposições, peças, festivais. Demoro mais a ler um livro porque sempre estou cansada e durmo em cima dele. Prefiro a tranquilidade de um almoço de domingo a qualquer evento agitado.

O sábado a noite inexiste. Neste domingo (aliás é meu aniversário) correrei pela primeira vez numa maratona (larguei o spinning que me ferrou o joelho) com protetor solar e ácido retinóico no rosto. Tenho mais cremes no meu armário, o que não quer dizer que seja mais vaidosa do que era antes quando trabalhava na TV e a imagem também importava. Aquela pré-balzaca que, ao longo desse texto parece estar virando uma velha rabujenta, fará festa, com bolo, docinhos e tudo mais. Se não fosse assim, eu descolaria totalmente da minha identidade.

Revendo, mais uma vez, o que escrevi em 2004, não afirmaria agora com tanta certeza que tenho pela frente uma "velhice" (nada daquela abobrinha que prega a fatalidade a qualquer momento). Se eu tiver, a previdência privada vai me valer. Sou mais prática e para falar a verdade, tento me preocupar com o presente. Por isso, a cara de interrogação quando alguém me pergunta quando virá o bebê. Não sei se terei filhos, se morarei um dia numa casa ou se conhecerei o Egito. Dei um tempo no tarot, sem perder o rito de checar o Quiroga do dia.

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