domingo, maio 01, 2005

Placebo no Claro Hall (RJ)

Se a bancária corda no pescoço não pôde deter uma pessoa disposta a assistir ao show de uma de suas bandas favoritas, a viação Cometa em bate-e-volta e a chuva tão pouco. Rumei para o Rio de Janeiro na sexta e, como em quase toda viagem de ônibus, a bizarrice senta ao meu lado. Fui munida de Bravo e Veríssimo para não ter que conversar com alienígenas. Quem disse que adiantou?

Uma mulher muito estranha sentou ao meu lado, daquelas que relutam em colocar a bagagem no porta-malas. Ela primeiro fez a maior confusão por conta do número do assento (típico de quem compra passagem no corredor e quer dar golpe da janela). Em seguida, colocou a mala no chão, que diga-se de passagem me espremeu. Sentou e dormiu. Como meu dramim começara a fazer efeito, me virei e tirei um cochilo. Fui interrompida por um buraco na estrada queijo-suíço. Abri os olhos e fui pegar a revista. Foi quando veio a pérola: "boa tarde, eu acabei de tomar um remédio a seco e tô um pouco engasgada. Posso tomar um gole da sua água? Eu juro que não encosto a boca". O que um cristão faz nessa hora? Entreguei minha garrafinha para a figura e percebi que estávamos em Barbacena. Nada mais oportuno.

Parada em Juiz de Fora. Ela olha para mim e diz para eu saltar sua mala enorme. E há outra alternativa? 20 minutos de descanso. De volta ao ônibus, ela insiste em testar minha paciência: "você não tem um lixo aí para eu jogar meus papés de bala?". Respondi um seco não.

Mais uns quilômetros e outra abordagem. "Você gosta mesmo de ler, heim?". Ignorei. E na rodoviária, a cara de pau olha para mim e fala: "eu costumo ser a última a sair do ônibus para evitar tumulto". Ai eu apelei: "hoje você será a penúltima"!

A dose de aventura do dia já foi garantida. Fui para o hotel e me encontrei com Uiara e David. Comemos no Gula Gula, passamos no Bar d´Hotel para um drink (recomendo o Nice, que é champanhe com sorbet de limão) e fomos para o Claro Hall. A última bandinha caída do "Claro que deve ser marmelada" já estava agradecendo o público. Ufa!

Cercados pela bissexual "lost generation", nos restou o fundão do local bastante cheio. O Placebo chegou empolgadíssimo, talvez por ser a última cidade da turnê no Brasil. Brian Molko levou os fãs ao delírio. Mesmo assim, a platéia como um todo não estava no clima. Talvez o carioca seja mais indie do que se imagina. As melhores músicas foram "Teenage Angst", "Slave to the Wage", "Special Needs", "This Picture" e "Pure Morning". Não gostei do arranjo de "Every you, Every me". O que não comprometeu a avaliação final: Nota 10! Andei lendo umas críticas sobre os shows de São Paulo que classificaram o show como mediano, com exceção do Lúcio Ribeiro que elogiou. Bom, pelo visto Brian Molko e Cia são como eu: preferem o Rio! Pena que não estava na boca do palco para pegar as camisetas que a banda distribuiu...

Voltamos de táxi no esquema tarifa combinada com duas meninas para lá de Bagdá de tão bêbedas, que eram de onde? BH! O taxista era uma figura e no fim, eu, Uiara e David morremos de rir.

E no sábado, passeios rápidos por Ipanema e Santa Tereza. Ir embora daquela cidade linda é sempre melancólico.

Para encerrar, a música que Brian Molko ofereceu ao público brasileiro:

Whithout you, I´m nothing

Strange infatuation seems to grace the evening tide
I'll take it by your side
Such imagination seems to help the feeling slide
I'll take it by your side
Instant correlation sucks and breeds a pack of lies
I'll take it by your side
Oversaturation curls the skin and tans the hide
I'll take it by your side

Tick tock
Tick tock
Tick tick
Tick
Tick
Tick tock

I'm unclean, a libertine
And every time you vent your spleen
I seem to lose the power of speech
You're slipping slowly from my reach
You grow me like an evergreen
You've never seen the lonely me at all

I
Take the plan, spin it sideways
I
Fall
Without you I'm nothing
Without you I'm nothing
Without you I'm nothing
Take the plan, spin it sideways
Without you I'm nothing at all


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