quinta-feira, janeiro 06, 2005

Sim, eu estou um dia atrasada...

Minha quarta, mais uma vez, foi super corrida e não pude escrever a homenagem a tempo. Aproveito, então, mais um momento zumbi - já que há dias não tenho conseguido cair nos braços de Morfeu por no mínimo 5 horas - e de inspiração...

Nesta semana, mais precisamente na madrugada de segunda, descobri um bilhetinho meu para mamãe em um de seus vários livros no nosso "escritório". Eu tinha mania de desenhar flores, corações e estrelas e acho que não de forma tão inconsciente. Das primeiras, ela sempre gostou. Os outros talvez sejam necessários para representar o tamanho do meu amor por ela - um coração só não basta - e como ela brilha e ilumina a vida de todos os que têm o privilégio de conseguir arrancar aquele sorriso largo, obviamente seguido de sua indefectível interjeição "du caralho, cara".

Fiquei a procurar mais rastros nos livros de filosofia e literatura da mamãe e me deparei com alguns fragmentos de memória. Tão remotos. Eu tinha muito menos de cinco anos quando andava de mãos dadas com ela na avenida Augusto de Lima, com meu vestidinho de tricot azul (uma das roupas mais fabulosas que já vesti ao longo desses 27 anos!) e ela me contava histórias super engraçadas. Sempre achei a minha mãe a mais legal e bonita de todas. Não me esqueço dela chorando no dia da morte do John Lennon (e eu tinha só três anos!), da brincadeira de aviãozinho e da bronca homérica que eu levei por causa de uma casinha de barro do Vale do Jequitinhonha, que eu espatifei. Momentos só nossos. Depois vieram muitos outros, mais claros, mais emocionantes até. No entanto, gosto de montar o caleidoscópio de situações única e exclusivamente vividas por nós duas, quando ela tinha mais ou menos a minha idade. Pode parecer uma estranha viagem no tempo. Só que eu acho que seria óbvio contar coisas do tipo como mamãe reagiu quando eu fiquei menstruada, como ela foi compreensiva em determinada circunstância ou aberta para falar de sexo, pílula e a importância da primeira vez, etc, etc.

O que torna minha mãe singular não é o papel de heroína destemida, a amizade, a cumplicidade, a troca de papéis. Tais características estão no "pacote", no DNA de Ângela Maria Santos Azevedo. Ela é a pessoa mais importante da minha vida porque nunca largou a mão da menina de cachinhos, com vestidinho azul. Como se não bastasse, ensinou a ela que é sempre bom fazer alguém sorrir (mesmo com uma piada de humor negro, as prediletas da casa), porém é importante chorar, colocar o sentimento para fora, porque isso é o sinônimo desta mãe: delicadeza. A menina também aprendeu que sua imaginação deve voar como na brincadeira e que responsabilidade nunca é demais, que ser humano é errar e muitas vezes sofrer e arcar com as consequências. O mais incrível de tudo é que depois do beliscão ou do castigo, não demorava um minuto para ela abraçar a garotinha, que não foi propriamente um anjinho de candura, e pedir desculpas pela dura. E engana-se quem pensa que a atitude é de "mãeteiga derretida" disposta a mimar a filha. Foi assim que ela deu a pista de como é vital perdoar.

PS: A foto da mãe mais linda do mundo está no meu flog

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