terça-feira, março 17, 2015

É o mistério profundo, é o queira ou não queira

Certa vez, uma amiga me disse que considerava o Franz Café um lugar ideal para se terminar namoros.  Eu achava a constatação curiosa até ter o ímpeto de enviar "You're so Vain" num MP3 para um certo rapaz, mas achei por fim que ele não merecia tanta consideração. Criamos cenários e trilhas para encerrar ciclos, ainda que não intencionalmente.

Aqueles dois mesmo. Tinham uns 20 anos. Ele, de cabeça baixa, argumentava. Ela chorava, esfregava os olhos borrados de rímel. Aqueles dois sentados justamente no meio do meu caminho, era a minha pausa para colocar sacolas de compras e dar um respiro. Fiquei na posição de intrometida.

Chovia e o céu sempre único e azulado de Brasília estava no tom da tristeza. Havia um vento frio também. Ele ofereceu o abraço e ela encostou a cabeça no ombro dele. Aceitou metade, o que cabia para o momento. Eu quis dizer aos dois que daria tudo certo, que tinham uma vida pela frente e mais uma série de clichês. Por isso, cuidei de me apressar.

Marços chuvosos e de frente fria combinam com cenas assim ou talvez seja o anúncio da promessa de vida nos corações, cantada por Tom e Elis.

Sendo um meio de tarde, num dia de semana, eu os imagino agora cada um em sua casa. Ele no quarto olhando para o teto. Ela contando o que aconteceu para a melhor amiga no telefone.

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