segunda-feira, julho 15, 2013

Eu Não Sei Dançar Tão Devagar

Eu não tenho discos da Marina Lima. Mas ela tem músicas que me desconcertam e me definem de modo que prefiro nem admitir. Prefiro nem admitir porque são anos de terapia para resolver certas questões. Da antroposofia ao desastre da lacaniana até chegar na homeopatia. E, sim, estou há uma semana sem glóbulos da minha Ignatia Amara porque não tive tempo de mandar manipular.

Quando a Marina canta "às vezes eu quero demais, e eu nunca sei e eu mereço", me sinto na segunda voz desse refrão. Não no fiapo de voz que restou a ela, e sim da voz dos anos 90, da gravação original, porque ainda há algo de vigor em mim que não está na versão acústica.

Entrevistei Marina quando ela mal podia falar. Saí do Othon Palace devastada. Era um dia quente, no entanto ela estava agasalhada. Diante da minha visível consternação, a assessora me chamou no canto e disse: "você sabe, ela passou por uma depressão severa". Àquela altura, eu nem fazia cálculo do que era isso. A tarja preta ainda não havia me dado uma mãozinha para levantar da cama, trabalhar, viver os dias.

Agradeci o convite de assistir ao show no Palácio das Artes. Um amigo foi e me disse que chorou do começo ao fim. Por tudo. Pela Marina, pelo fim da voz da Marina, por ele, pela nossa existência de merda. Imagino o que tenha sido. Quando ouço "Eu Não Sei Dançar" sinto um monte de coisas. A diferença é que o que eu posso dar é solidão com vista para montanha. E o mar é mais bonito. Talvez, por isso, ninguém queira esse meu presente...

Eu ouvi a Marina, pela primeira vez na vida, sem o Lima. Extremamente solar, chamando o verão e o calor no coração. Essa não me pegou. Foi a Marina do "Virgem", das "coisas não precisam de você. Quem disse que eu tinha que precisar?" que me me obrigou a ir ao hotel com o nome dela para tomar um drink e riscar o amor temporariamente.

Eu risco o amor temporariamente. "Meus olhos se escondem onde explodem paixões".

C' est la vie.


4 comentários:

  1. Obrigada, querida! Beijo

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  2. Ludj, com vista pra montanha.
    Marina, rouca ou soprano, no "repeat disk".
    Quartos escuros, que pulsam, e pedem por nós.
    E um tarja preta para quando não souber dançar.
    "Se você quiser, eu posso tentar"...

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  3. Você transforma meu post em poesia, Andarilho. Beijo!

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