quinta-feira, abril 28, 2016

Alarmes

Outro dia silenciei um dos grupos. Depois, achei melhor me despedir cordialmente. Muitos links, muitas opiniões e ninguém de fato conversando.
Penso em excluir o aplicativo todos os dias. Ele já não me manda alertas. Abro uma vez ou duas, e conto mais de 200 mensagens não lidas.
Sigo para o trabalho escutando os mais diversos burburinhos, entre os quais muitos absurdos. No ônibus, no trajeto que faço a pé, quando paro para comprar uma fruta na barraquinha.
Durante o expediente, me levanto depois de minutos mirando a tela branca, vou tomar um café. O colega me dá notícias sobre o valor inexistente de uma bolsa ligada a um programa social. Ele parece contente com a possibilidade de ver pessoas mais pobres do que ele perderem o que chama de esmola. Explico pacientemente que esse teto foi inventado. Como são olhos nos olhos, enxergo a vontade de revidar, mesmo que sem nenhum argumento convincente. Me antecipo e sugiro: busque informações confiáveis.
O iPhone vibra. Outro alarme para desarmar. Uma amiga publica um link. Sim, é um texto  jornalístico. Sim, está assinado. Não, não é uma informação confiável, mesmo sendo produzido por quem, na teoria e prática, deveria ser confiável. Suspiro, ignoro, aciono outro aplicativo. Aguardo os segundos para pular o anúncio e ouvir música.
E não é que aquela publicação de uns dias atrás, não sei como, chama a atenção de alguém que não me cumprimenta nem no meu aniversário. Por que não desativei também esta notificação? Leio. Imagino o sangue nos olhos ao me perguntar o que eu - a sabichona das humanas, a que questiona as informações - acho daquilo.
Vou tomar outro café, olhar o céu de Brasília que está particularmente bonito nesses dias tristes. Penso numa tapioca, porém como fatias de melão gelado.
Volto, respondo educadamente. Estendo a tal bandeira branca, rasgada, surrada e cansada.
Leio os e-mails com as promoções de passagens aéreas. Clico e não existe nenhuma disponível. Férias daqui dois meses. Nenhuma perspectiva de viajar. Mas gostaria imensamente de antecipá-las e dormir. Dormi, descansar, como cantou meu mestre Walter Franco.


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