sábado, fevereiro 16, 2013

Marcelo, os escritos deles e nós mulheres

Marcelo Rubens Paiva faz parte de um time de homens raros e especiais. Não esbarramos comumente com caras como ele em baladas. Ele pode até ser aquele amigo que a amiga queria te apresentar, mas você não foi ao encontro porque não gosta dessa coisa arranjada. Talvez ele seja aquele que você viu na livraria semana passada. E, quando ele olhou para você, a reação foi mudar de estante. Homens como ele deixam a gente com as bochechas vermelhas e com a sensação de estar sempre dizendo algo bobo. E eles sempre riem, acham bonitinho.

São homens que amam as mulheres. Cúmplices,  gentis, donos do melhor abraço do mundo. Eles toleram chiliques e neuroses femininas, muitas vezes, de bom humor (como podem?). São homens que, mesmo quando pisam na bola, não te deixam partir. E você não vai, porque eles valem a pena. E se você for, eles correm atrás. Eles são para viver um grande amor. Desses que, por menos durem, ficam de alguma maneira. São deles as cartas amarelas que jamais irão para o lixo, as fotos daquela viagem para Ouro Preto e algumas de suas noites perfeitas.

Geralmente, esse tipo de homem não é o mais bonito (só que você o achará mais interessante que o George Clooney, ainda que não diga...entrando em cena mais uma dessas verdades que a gente não diz). Muito menos irá despertar seu interesse de imediato. Melhor assim. Ele é para se desvendar e ir se apaixonando aos poucos. A conversa dele é sedutora. Tudo com ele é melhor do que foi com qualquer um: beijar, transar e...fazer planos. Porque ele não foge, não tem medos idiotas, não é moleque.

Homens que pertecem a esse seleto time existem e são muito difíceis de se encontrar, sobretudo em tempos tão estranhos como esses. Namorei três ao longo da vida. Tenho meia dúzia de amigos que são exatamente assim. Há os que não conheço, como o Marcelo (usando aqui uma intimidade de quem já leu quase toda a obra dele), o Ivan e o cara de Porto Alegre que escreveu lindamente sobre mulheres de cabelos curtos...Eles escrevem, escrevem bem e nos fazem suspirar...ter aquela pontinha de esperança.

 E do livro que leio agora, "As Verdades que Ela Não Diz", uma crônica (como muitas) que, às vezes, me define. Só que eu hei de começar outro e outro...

E daí que acaba - Marcelo Rubens Paiva

Não aguento mais ouvir uma voz feminina afirmar com amargura e rancor que não quer mais se casar. As muitas seguidoras de Paulo Mendes Campos acreditam que, se o amor acaba, para que começar outro.

São aquelas que se casaram de branco, no dia mais feliz de suas vidas, apaixonadas e entregues, mas que depois enfrentaram a ira de um ciumento, as neuras de um obcecado, as fraquezas de um viciado, se envolveram com famílias alheias intolerantes, conheceram a frigidez na rotina, a traição injusta seguida pelas mentiras incabíveis, e decidiram pôr um fim no sonho de eternizar aquele instante em que tudo parecia fazer sentido, as estrelas estavam próximas, em que nasceram um para o outro e morreriam grudados, na alegria e na doença.

Aquelas que já passaram por um ou dois casamentos e mergulharam no tombo da separação, em que a decepção troca de lugar com o amor, e o futuro vira pó.

Eu não aguento mais replicar: “Se o amor nos enlouquece, imagine a loucura que é ficar sem ele.” Para aquelas que dizem não acreditar mais no amor, proponho então experimentarem outros e apostarem nesse bilhete só de ida.

Uma noite de prazer acaba. Um banquete acaba. Uma viagem inesquecível acaba. O fim de semana na ilha paradisíaca, um campeonato, o dia, o ano, o gozo, um livro, um disco, um banho de banheira acabam. Não por isso, evitamos outros.

Ah, foi o dia internacional delas, que amamos tanto, que nos deram à luz, intuição, formas alternativas de pensar, mostraram detalhes que passavam despercebidos, exigiram atenção, dedicação, carinho, nos fizeram ser românticos, abafar a vergonha e nos inspiraram música, poesia, até guerras. Mas sua descrença com os novos tempos e o velho homem nos deixa desesperados, órfãos. Nostradomus previu isso? Está escrito nos céus?

Se vocês não acreditam mais, quem acreditará? Lembrem-se de Nietzsche, que nos últimos dias numa vila italiana, com o calor na pele, viu alegria no niilismo e esperança no desamparo: “Cada passo mínimo dado no campo do pensamento livre, da vida moldada no seu formato pessoal, foi desde sempre conquistado com martírios espirituais ou corporais.”

Trégua. Que venham os clichês. Cá está o ombro para o choro da mudança de humor inexplicável e inesperada. Quer que eu apague a luz na enxaqueca? Explico com toda a paciência a regra do impedimento, quem joga contra quem, e o que significa aquele quadro no alto da tela, em que três letras, COR, vencem por 2 X 1 as três letras PAL.

Fique na cama na TPM. Trarei uma bolsa de água quente e o jantar. Sim, vamos comprar sapatos. Eu espero. Levo um livro, enquanto você experimenta a loja.

Adorei a cor do esmalte, o corte do cabelo. Batom vermelho te deixa mais bonita. Não, a calcinha não está marcando. Ah, põe o tubinho preto, se bem que gosto quando você coloca aquele vestidinho colorido. Não, o sutiã não está aparecendo.

Eu ligo para o despachante, faço um rodízio nos pneus, troco a bateria, reconfiguro seu computador, mando lavar o tapete, o forro do sofá, também adoro ele com almofadas indianas em cima.

Cuido de você na velhice, não te trocarei por uma adolescente que cheira a tutti frutti, nem pela secretária vulgar da firma, amarei a sua pele um pouco mais flácida, seus seios naturalmente instáveis, seu corpo maduro, seus joelhos frágeis. E tomaremos vinho tinto todas as noites. Prefere branco? Que celulite?

Porém a maioria de vocês conhece agora as teclas atalhos, a pressão nos pneus, sabem chamar o seguro, para uma pane elétrica, e que carrinho por trás dá cartão vermelho. Tornam-se independentes.

Pesquisa da Serasa Experian até mostrou que as mulheres são a maioria entre os mais ricos do País- segundo o estudo, cerca de 4,9 milhões de mulheres e 4,7 milhões de homens participam do grupo dos mais prósperos do Brasil, as classes A e B, e que as mulheres “ricas” somam cerca de 1 milhão, e 611 mil mulheres são executivas bem-sucedidas.

Foi uma semana cheia de dados e números sobre elas, vocês. E nós. Último censo do IBGE: o número de divórcios triplicou, enquanto o de casamentos formais, de papel passado, caiu 12%.
O amor se tornou líquido, não é, Zygmunt Bauman? “Se hoje vivemos em redes virtuais, que aproximam e afastam as pessoas, somos capazes de manter laços fortes e relações verticais?”, pergunta.

Eu entendi, deixamos de preservar o passado e começamos a viver um presente perpétuo, a era do hedonismo e consumo desenfreado, vazio difícil de saciar.

Desistimos da sede pelo amor? Não, mulher não é o apêndice do homem, mas a fonte original da vida e a nossa razão de ser. Não nos deixem desamparados. E aprendam com as nossas fraquezas e com todos os erros.


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