terça-feira, janeiro 12, 2010

Arrumando a casa

Volta e meia tenho vontade de deixar minha casa bonita, gastando pouco ou quase nada. Bem, eu queria ter sala e copa separados, uma grande cozinha e um armário de quatro portas. Não é possível no momento. Também sonhei com pés palito, Cimo, Desmobília, Eames e Saarinen. Meu marido - extremamente econômico - se dividiria entre o infarto e a separação. Não sem antes falar o quanto eu jogo meu dinheiro fora, não poupo e estou fadada a ser uma dona doida numa casa alugada e cheia de gatos.

Observando minha obstinação e meus esforços em não gastar muito para deixar o ambiente agradável - depois de 2 anos e meio triste por receber meus convivas numa mesa de escritório - ele desenhou a sala e tudo que tem nela e me mostrou possibilidades para caber a mesa nova que comprei e harmonizar o espaço. Sim, comprei uma mesa nova. Liguei para ele e avisei. Passamos inúmeras vezes na Tok&Stok em liquidações, saldões e nada. Então fui lá na cara e na coragem, com um teto enxuto e levei.  Nem de longe é a mesa que, se eu morasse sozinha, compraria (ele me perguntou se o modelo ultra simples foi por conta da pressão dele), no entanto enxerguei naquela peça laqueada sem graça algumas possibilidades. Assim, aos poucos, vou arrumando a mesa, a sala apertada e a casa provisória. Sem saber se terei uma definitiva. Meu marido, com certeza, terá.

Não me importo em ser a cigarra porque não vejo nada de errado em aproveitar a vida. Admiro o belo e nem por isso sou fútil. Sou formiga por obrigação, não por prazer. E me lembrando agora da fábula, outro dia um amigo mandou um spam recontando a história: a formiga teve mil problemas com trabalho e estresse. A cigarra foi embora montou uma banda, fez muito sucesso e teve uma vida bem mais divertida que a colega. A única lição disso é que é preciso, ainda que com os pés no chão (algo muito complicado para quem tende a cabeça nas nuvens), reiventar-se o tempo todo. Eu começo pela minha casa.

3 comentários:

  1. Belo post! Arrumemos a casa e a vida, um pouco de cada vez. E vamos cigarreando, formigando e os prazeres surgem no meio dessa coisa toda. Como cantou Itamar Assumpção: "Na próxima encarnação não quero saber de barra. Replay de formiga não, eu quero nascer cigarra".

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  2. Adorei a frase de Itamar Assumpção. Poderia ser nossa. Beijos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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