quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Eis a questão

Transições na nossa vida
por Felipe Machado

Quem me conhece sabe que não sou a melhor pessoa do mundo para dar conselhos, mesmo gostando de me meter na vida dos outros – no bom sentido, claro.

Costumo falar o que penso, e não o que os outros desejam ouvir. (E quem pede conselhos quer que alguém concorde com o que a pessoa mesmo já decidiu.) Mesmo assim, uma amiga de 30 anos disse que estava pensando em se mudar para Nova York e queria a minha opinião.

Não precisa ser nenhum gênio para saber que morar em Nova York é sempre uma opção inacreditavelmente boa. Até eu quero me mudar para Nova York. Perguntei então mais detalhes sobre seus planos, o que ela estava pensando em fazer lá, etc. "Um curso", ela respondeu. "Que tipo de curso?", perguntei. "Hummm... ainda não sei."

Estou usando esse exemplo apenas para dizer que hoje em dia há uma onda de indecisão em relação ao futuro profissional. Conheço várias, mas várias pessoas nessa faixa etária que simplesmente querem revolucionar suas vidas, mesmo sem ter certeza do que querem realmente fazer. Sinal dos tempos? Provavelmente.

Trinta anos é uma idade complicada. Você não tem mais 18, mas ainda não tem 45. O que isso quer dizer? Que não é tarde para começar uma nova carreira, mas também não dá para marcar bobeira muito mais tempo.

Mudar para o exterior é uma das primeiras opções que vêm à cabeça de uma pessoa nessa idade. Como eu disse para a minha amiga, porém, não são os ares do estrangeiro que vão resolver todos os seus problemas. E não é nada agradável pensar no futuro gastando em dólar no presente. Quem quer morar no exterior deve planejar dez vezes mais do que se ficasse por aqui, até porque lá geralmente a gente não pode contar com família, amigos, empregada...

Mas não quero ser o chato que acaba com os sonhos dos outros. Quer mudar de vida? Mude. Quer largar o emprego e virar atriz de teatro? Faça isso. Só pense duas vezes, porque uma eventual volta à realidade também é pelo menos duas vezes mais traumática. O segredo é ser pragmático: quanto tempo você consegue viver sem salário? Que tipo de emprego você espera encontrar aqui após se formar em um curso no exterior? E, se resolver ficar por lá mesmo, como você pretende pagar as contas?

Fazer perguntas é sempre uma coisa muito chata, mas até hoje não inventaram um jeito melhor de encontrar respostas. Pensando bem, fazer as perguntas certas não é tão chato assim. Afinal, as respostas são o seu futuro – e, se você acha isso chato, é melhor mesmo mudar de vida.

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